Ministros do TSE já indicam que chapa Dilma-Temer não será cassada

Dourados - MS, 8 de junho de 2017


Benjamin não tem pressa de concluir relatório e lerá os termos do resumo que preparou (também extenso) até o final (Foto: José Cruz)

Luiz Fux disse que foi feito acordo para prosseguir com a sessão pela noite desta quinta-feira até concluírem a leitura do relatório. Amanhã, cada ministro terá 20 minutos para votar

Depois de um dia cansativo, no qual por mais de oito horas, com pequenos intervalos, os ministros julgam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o processo de cassação da chapa Dilma-Temer de 2014, o clima é de tentar administrar o tempo e conciliar as intenções dos que querem se manifestar com maior avidez, de forma a contribuir para o encerramento dos trabalhos. “Precisamos ser práticos. Salvo alguma exceção, o fato já está consumado”, disse um magistrado, depois de reunião reservada entre o colegiado. A expectativa é de que por quatro votos a três, a chapa não seja cassada. “Surpresas podem acontecer em todo julgamento, mas nesse aqui é muito difícil”, destacou esse mesmo magistrado, lembrando que os trabalhos podem se estender até sábado (10).

O relator, ministro Herman Benjamin, ainda não terminou de ler a parte referente ao mérito do seu relatório-voto, marcado por riqueza de detalhes. No intervalo realizado por volta de 18h, o ministro Luiz Fux disse aos jornalistas que foi acordado entre eles de prosseguir com a sessão pela noite desta quinta-feira até concluírem a leitura do relatório de Benjamin. Amanhã (9), cada ministro terá 20 minutos para se manifestar e dar seu voto, como forma de acelerar a sessão.

Mesmo com esse acerto, muita gente, entre advogados e especialistas que acompanham o julgamento, consideram difícil a sessão ter ritmo mais rápido do que o atual.

A possibilidade de o resultado já estar sendo previsto pelos que acompanham a sessão se dá pela forma como se posicionaram os ministros Gilmar Mendes, Admar Gonzaga, Tarcísio Mendes e Napoleão Nunes Maia Filho. Por sua vez, se manifestaram favoráveis ao voto de Herman Benjamin os ministros Rosa Weber e Luiz Fux.

Crise política

Num dos momentos mais tensos do dia, Fux chegou a chamar a atenção dos colegas para a importância do julgamento para o país e o que definiu como “necessidade” de a crise política ser levada em conta, assim como as denúncias feitas por delatores, nos autos do processo.

O presidente do tribunal, Gilmar Mendes, no entanto, tem sido chamado de “capitão do grupo que não quer a cassação, nem a inclusão nos autos das delações”. Ele chegou a acusar o Ministério Público de ter feito acordo com delatores para que tratassem de questões referentes a propinas para a campanha de 2014, de forma que estas informações pudessem vir a ser acrescentadas ao processo.

O ambiente de animosidade é cortado por frases irônicas e lembranças dos ministros de que são amigos há muito tempo, assim como elogios de conduta e conhecimento jurídico entre uns e outros, mas que não reduzem a tensão dos embates. A reclamação, agora, é da demora do ministro Herman Benjamin para concluir todo o seu relatório. Ele já informou que não se importa: lerá os termos do resumo que preparou (também extenso) até o final.

Fonte: Rede Brasil Atual

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