Relembre: Aécio pediu dinheiro a Joesley, e primo do senador foi gravado pegando maços de dinheiro

Dourados - MS, 28/09/2017


Senado avalia na próxima semana a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) do mandato e impor ao tucano recolhimento domiciliar noturno.

O senador foi gravado pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS, acertando o pagamento de R$ 2 milhões para advogados que o defendem (ouça abaixo). Em troca, Aécio atuaria em favor da JBS no Congresso Nacional, de acordo com investigações. A gravação foi entregue por Joesley ao Ministério Público Federal (MPF) no acordo de delação premiada na Operação Lava Jato.

Segundo o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Aécio e o presidente Michel Temer agiam juntos para impedir o avanço da Lava Jato. O senador foi acusado de corrupção passiva e obstrução de Justiça.

Quando o áudio foi divulgado, em maio deste ano, Aécio chamou as acusações de absurdas e disse que nenhum ato ilícito foi cometido. “O pedido de empréstimo [de R$ 2 milhões] foi feito sem a oferta de qualquer contrapartida e sem qualquer ato, por parte do senador, que possa ser considerado ilegal ou mesmo que tenha qualquer relação com o setor público”, afirmou em nota.

Pedidos de afastamento

Após analisar a gravação feita por Joesley, a PGR pediu a prisão de Aécio. O ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato, rejeitou o pedido, mas decidiu afastá-lo do mandato de senador pela primeira vez em 18 de maio. O retorno dele ao Congresso foi liberado em 30 de junho, pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF.

Mello contestou os argumentos da PGR de que Aécio usaria o poder do cargo para interferir nas investigações. Ele também considerou que o afastamento do senador era uma medida que poderia colocar em risco a harmonia entre os poderes Legislativo e Judiciário.

Na última terça-feira (26), o STF decidiu, pela segunda vez, afastar Aécio do mandato. Desta vez, a determinação partiu da Primeira Turma do STF, que também impôs que o parlamentar ficasse em casa no período da noite. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), foi notificado da decisão na noite desta quarta (27).

Luiz Fux foi um dos ministros que votaram pelo afastamento. Ele considerou que Aécio não teve “grandeza” ao não se afastar voluntariamente do mandato quando surgiram as suspeitas. “Vamos auxiliá-lo a ser portar tal como deveria se portar, sair do Senado para poder comprovar à sua ausência de culpa nesse episódio”, disse.

Parentes de Aécio envolvidos

Na mesma época da divulgação da gravação da JBS, a irmã de Aécio, Andrea Neves, e o primo do senador Frederico Pacheco de Medeiros foram presos pela Polícia Federal.

Vídeos aos quais o Jornal Nacional teve acesso com exclusividade mostraram o executivo da J&F, Ricardo Saud, entregando dinheiro a Frederico Pacheco. Segundo a PF, Joesley havia combinado que seriam entregues quatro malas com R$ 500 mil cada uma ao primo de Aécio, que já foi tesoureiro de campanha do senador.

Fonte: G1

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