Agora que escapou, Temer fará jorrar maldades e retrocessos

Dourados - MS, 28/10/2017


Depois de escapar da segunda denúncia criminal ao custo de R$32 bilhões, Temer vai despejar sobre o Brasil um saco abarrotado de maldades, entreguismos e retrocessos.  Só que agora enfrentando um Congresso mais guloso e dono de si,  que disputará com o Executivo a condução da agenda. Medidas mais impopulares, como a reforma previdenciária, o Congresso vai desidratar, mas eles vão se entender no que for de interesse do poder econômico.   A nova fase começa nesta sexta-feira com o leilão do pré-sal, que fará a festa das petroleiras estrangeiras.  Na semana que vem Temer já envia ao Congresso o projeto que estabelece a modelagem da venda da Eletrobrás para acelerar a entrega do setor elétrico ao capital privado, colocando em risco a segurança energética do país.  Se hoje a energia é cara, quando deixar de ser serviço público e virar mercadoria é que veremos.

A equipe econômica agora não quer mais desculpas para ver editadas as medidas provisórias do ajuste fiscal.  O rombo acumulado este ano já alcança R$ 108,533 bilhões, o pior resultado da história para o período desde o início da série histórica, em 1997.  Ainda antes do resultado desastroso do mês massado (deficit de R$ 22,7 bilhões), estavam  engatilhadas, contra os servidores públicos federais, medidas como o aumento da contribuição previdenciária, de 11% para 14% e o congelamento de todos os aumentos escalonados que foram negociados ainda no governo Dilma. Novas maldades devem ser acrescentadas.  Benefícios, como ajuda de custo para remoções, serão cortados ou reduzidos.  A observância do teto será rigorosa e para isso haverá cortes em salários que estiverem extrapolando o limite.   O governo planeja também fixar um piso salarial de R$ 5 mil reais para os funcionários que ingressarem no serviço público daqui para a frente, o que desestimulará o ingresso em carreiras mais qualificadas, como as de gestores, auditores e diplomatas, cujos concursos são concorridíssimos.  O resultado será a degradação da máquina administrativa.

Na pauta de urgência da Câmara entrará o projeto que altera a lei dos planos de saúde, que poderá expulsar do sistema as pessoas com mais de 60 anos, se prevalecer a planejada regra de reajustes a cada aniversário.

Com o início da vigência da reforma trabalhista em 11 de novembro,  já pairam ameaças sobre a própria justiça trabalhista,  onde é forte o movimento de resistência de juízes e desembargadores contra medidas que consideram inconstitucionais.

Estas e outras maldades, retrocessos e entreguismos é que fazem de Temer o presidente mais impopular do mundo mas ele não se importa. Afinal, não tem mesmo qualquer futuro na política. O encontro marcado que ele tem não é com as urnas, é com a Justiça, onde terá que responder, quando deixar o cargo, pelas denúncias que ele conseguiu barrar na Câmara aliciando deputados com recursos públicos.

Por Tereza Cruvinel

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