Com pedra na vesícula, idosa definha esperando por vaga para cirurgia

Dourados - MS, 29/10/2017


Noites em claro, dores insuportáveis na região abdominal e dificuldades de caminhar. Esses são alguns dos problemas que a dona de casa Geni Chaves, de 60 anos, vem enfrentando ao longo dos últimos seis meses devido a uma pedra da vesícula.

A moradora de Anástacio procurou o Posto de Saúde do município, há seis meses, quando percebeu que não conseguia mais andar por causa de fortes dores no quadril e nas pernas. No mesmo momento, a idosa foi encaminhada para o Hospital Municipal Abramastacio, onde ficou internada por 10 dias à base de soro e realizando exames. O resultado foi uma pedra na vesícula que, segunda ela, está com “tamanho grande”.

Com diabetes e pressão alta, os médicos do hospital afirmaram que não poderiam realizar a cirurgia por se tratar de um procedimento de risco e que a retirada da pedra só poderia ser feita em Campo Grande. Foi onde começou o sofrimento. Sem vagas na Capital, os profissionais da saúde pediram que ela “arrumasse alguém” que residisse na cidade para facilitar os trâmites. Sem êxito, a paciente já perdeu 23kg e raramente consegue ficar de pé.

Com semblante de dor, ela conta que vai ao hospital cerca de cinco vezes ao mês quando possui crises e tem ‘sensação de morte’. Ainda conforme a dona de casa, as dores persistem porque o único remédio que foi receitado é o Buscopan.

“Não posso nem encostar na minha barriga. Os médicos dizem pra eu comer só sopa, mas a dor é tanta que não consigo nem tomar água. Não consigo dormir, nem cozinhar. Fico deitada o dia todo.”

O marido compartilha do sofrimento da mulher. Ele diz que tem dias que não almoça, pois possui deslocamento na bacia e não consegue sair de casa para comprar comida. No pequeno imóvel, localizado na Rua José Lourenço Dias, residem Geni, o marido e o filho pequeno.

“Minha mulher fazia tudo dentro de casa. Eu não consigo andar, meu filho não sabe cozinhar. Tem dias que a família não se alimenta porque ela não consegue nem se mexer.”

A família ainda ressalta que se sente abandonada pela Saúde Pública Municipal. O sentimento de impotência parece conformar o definhamento dia após dia da idosa.

“Aqui é assim, pobre só vive quando rico dá a vez. Preciso fazer a cirurgia porque se eu expelir a pedra, como está muito grande, eu morro. Se ela chegar ao pâncreas, eu também morro. ”

Poder público

A reportagem do TopMídiaNews entrou em contato com o vereador Igor Cambucá (PSB) na manhã da última terça-feira (17). Atuante na área da Saúde em Anastácio, Cambucá afirmou que entraria em contato com a enferma para solucionar o impasse, mas até o fechamento da matéria ninguém havia procurado a idosa.

Fonte: TopMídiaNews

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