terça-feira, julho 17

Na escola, agressão vem em fórmula de física que zomba de gay e nojo de lésbicas

Na semana em que se comemorou o Dia Internacional do Orgulho LGBT, o Lado B conversou com um grupo de 22 alunos da Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado, que não terão os nomes divulgados para evitar exposição. E o que importa realmente não são as identidades deles, porque a maioria repete o que é reproduzido hoje em tantos outros colégios, públicos e particulares, quando o assunto é diversidade.

No dia do bate-papo, encontramos uma turma com a bandeira do arco-íris e os rostos pintados em uma manhã de acolhida aos colegas, independente do gênero ou orientação sexual. “No início, estávamos com medo de sermos motivo de chacota, mas o professor que é responsável pelo projeto, nos deu força e acabamos fazendo a ação, que por sinal foi super positiva”, diz um dos alunos do Ensino Médio, que organiza ações e representa os LGBT dentro do colégio.

Mas quando a questão ocupa a sala de aula, a acolhida não é generalizada. Apesar de tantos debates, como a necessidade de redução do bullying e de ações que favoreçam a autoestima, alguns comportamentos nocivos partem de onde o adolescente mais espera segurança.

Os alunos são firmes, defendem suas escolhas e dizem que, por mais que a escola seja aberta e acolhedora, eles se sentem desrespeitados por alguns professores que insistem em um antiga forma de ensinar.

“O mais absurdo que já ouvimos e vimos aqui, foi um professor hétero que usa uma frase pejorativa como macete para fixar uma fórmula de física PV=NRT, que na opinião dele significa ‘Palmeirense veado não rejeita tarado’”, se queixam.

Na avaliação deles, na equipe de 14 professores, cinco agem de forma desrespeitosa com meninos gays e meninas lésbicas.

“Temos um professor que no dia da acolhida, estava em sala e quando viu que um outro professor  estava nos ajudando a colar cartazes com frases que se referem ao nosso movimento, falou em bom e alto som “Que porra é essa?”, se referindo ao que o outro docente estava fazendo junto com os alunos”, reclama um dos meninos.

Alunos dizem que se sentem desrespeitados com atitudes de alguns professores. (Foto: Fernando Antunes)Alunos dizem que se sentem desrespeitados com atitudes de alguns professores. (Foto: Fernando Antunes)

O grupo de 22 estudantes relatou pelo menos três atitudes pejorativas de alguns docentes. (Foto: Fernando Antunes) O grupo de 22 estudantes relatou pelo menos três atitudes pejorativas de alguns docentes. (Foto: Fernando Antunes)

As agressões surgem no impulso, muitas vezes, mas com agressividade que revolta a turma. “Um dia, quando a professora ficou sabendo que tinha duas meninas lésbicas na sala, ela deixou nítido que ficou com nojo e ainda disse: ‘Que nojo!’, se referindo as meninas que são namoradas”, conta uma aluna.

O professor, Adalberto Souza, responsável pelo projeto Escola da Autoria, programa de educação em tempo integral, diz que nenhuma denúncia ou queixa que chegue até a direção ou coordenação pedagógica é desconsiderada. “Até o momento não chegou ao nosso conhecimento tais atitudes, nós enquanto coordenadores estamos sempre a disposição dos alunos para quaisquer tipo de dialogo e não concordamos com tal atitude e estamos a disposição para investigar e tomar as atitudes cabíveis”, salienta.

A Secretaria de Estado de Educação informou que não recebeu nenhuma relato desse teor e que irá entrar em contato com o diretor da escola para que seja tomada uma atitude em virtudes da denúncia feitas pelos alunos.

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