sexta-feira, setembro 21

Sete dias decisivos para Lula

A defesa do PT corre contra o relógio. Tem até dia 11 – exatamente uma semana – para reverter a impugnação de Lula imposta pelo STF. Dois caminhos podem conduzir ao sucesso. O primeiro é internacional. Os advogados vão comunicar ao Comitê de Direitos Humanos da ONU que a determinação liminar expedida não foi cumprida pelo Brasil – ou seja, seus direitos políticos que estavam ameaçados foram cassados – e pedir uma declaração por escrito a respeito.

Na outra frente, vão perguntar ao STF se a constituição exige ou não que os pactos e tratados internacionais sejam respeitados. Já se especula que ao menos um dos ministros, Ricardo Lewandovski, endossa o entendimento de Edson Fachin, cuja divergência com o relator Luís Roberto Barroso no julgamento do TSE salvou Lula. Evitou a goleada por unanimidade.

Se o comitê da ONU reiterar a determinação de que Lula participe da eleição mesmo preso e o STF aceitar a nova liminar da ONU, o TSE terá de aceitar a candidatura, acredita a defesa. Essas são suas balas de prata. O argumento do artigo 26 C da Ficha Limpa ficou para escanteio. É ONU ou nada. O que não quer dizer Lula ou nada.

Não procedem, portanto, acusações veiculadas por antipetistas, segundo as quais o PT estaria em confronto com a Justiça ao se negar a reconhecer no horário eleitoral que Lula está fora do páreo. Nada disso. Não há confronto. A defesa está obedecendo ao TSE que concedeu prazo de dez dias para o PT indicar outro candidato no lugar de Lula. Nesse período o partido não tem obrigação de dizer quem ele é. Não está dizendo que é Lula, só não está dizendo que não é.

O TSE também permitiu a Lula aparecer em 25% do tempo como apoiador. A direita está chiando porque isso quer dizer 30 segundos em cada programa, o que é mais do que têm Marina, Bolsonaro e Ciro. E dar 30 segundos a Lula pode ser fatal. Mas as regras são essas. Lula tem esse tempo porque seu partido é muito maior que os desses candidatos.

Se até o dia 11 de setembro não houver resposta da ONU ou julgamento ou se o julgamento for desfavorável a Lula a chapa será trocada. Se for favorável, a sua candidatura será registrada.

Seja como for, Lula vai continuar no horário eleitoral pedindo votos para ele ou para Haddad até o fim da campanha, o que fará toda a diferença.

Lula se vira bem nos 30.

 

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