qui. jul 18th, 2019

PM, filho de coronel Telhada, mata suspeito e comemora nas redes sociais

O tenente Rafael Enrique Cano Telhada, 32, lotado no COE (Comando e Operações Especiais) e filho do deputado estadual coronel Paulo Telhada (PP-SP), comemorou, em post no Facebook, a morte de um suspeito de roubo.

Junto com outros dois PMs, o sargento Rodrigo Bolini, 41, e o soldado Rogério Felix da Silva, 38, os policiais foram acionados por testemunhas que presenciaram a tentativa de roubo, ocorrida por volta das 8h do dia 2 de março, no km 15 da rodovia Castelo Branco. Ao chegarem lá, segundo os próprios policiais, eles teriam sido recebidos a tiros – e revidaram.

O suspeito, que era negro e não chegou a ser identificado pela polícia, recebeu quatro tiros ao tentar fugir: dois no pescoço, um no peito e um no abdômen. Ele chegou a ser socorrido e levado ao hospital regional de Osasco, mas não resistiu e morreu no local. O outro suspeito ainda não foi localizado.

Horas depois do ocorrido, o tenente Telhada foi às redes sociais comemorar a ação policial, que resultou na morte do suspeito. No Facebook, Telhada disse: “o facínora tombou baleado e, socorrido, evoluiu a óbito. Graças ao bom Deus, todos os guerreiros do COE estão bem. A caveira sorriu mais uma vez”. E complementou no Instagram: “mais um combate, mais um inimigo tombado, vitória”. O policial recebeu apoio de seus seguidores, que elogiaram a ação.

A Polícia Civil, entretanto, não chegou sequer a pedir perícia no local do acontecido. Segundo o registro de ocorrência assinado pelo delegado Vinícius Brandão de Rezende, isso se deu “em virtude de o local ser de difícil acesso, bem como de o corpo já ter sido removido do local, não havendo, portanto, campo para perícia, deixando a Autoridade Policial de requisitar perícia local”.

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Os PMs mexeram na cena do confronto ao socorrer o homem baleado. Eles levaram uma arma e algumas roupas que seriam do suspeito para a delegacia, identificadas por outros PMs como sendo semelhantes às usadas pelos assaltantes.

A escolha de mexer na cena do crime pode afetar o resultado da investigação. A perícia seria fundamental para identificar, por exemplo, quantos tiros foram efetuados – o que poderia comprovar que os policiais foram recebidos a tiros ou divergir da versão dos PMs.

A reportagem do UOL questionou a Secretaria da Segurança Pública sobre o porquê de o corpo ter sido retirado e por quem. Em nota, a PM disse que abrirá um Inquérito Policial Militar para apurar a ocorrência. “Em relação às opiniões pessoais do tenente, elas não refletem a posição da instituição e serão apuradas”. Nem a PM e nem a SSP responderam os questionamentos feitos sobre a retirada do corpo da vítima do local da morte.

Segundo a desembargadora do TJ-SP, Ivana David, “se era local de difícil acesso, como tiraram o corpo e as roupas do indivíduo? Isso pode ser considerado até crime de prevaricação. Vai ter que explicar por que não respondeu ao Código de Processo Penal”.

É importante ressaltar que o Método Giraldi, que é público e orienta como os policiais militares de São Paulo devem agir em confrontos, diz que os tiros, quando necessários, devem ser preventivos, apenas para a contenção do suspeito. A orientação é para atirar de forma gradual.

Fonte: Yahoo

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Carlos Telles
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