ter. ago 20th, 2019

Alunos brasileiros criam filtro pra astronautas no espaço

Estudantes brasileiros de Santa Catarina criaram um experimento de filtro de água que foi enviado por um foguete da Space X para astronautas da Estação Internacional, a ISS.

A invenção é de quatro alunos do segundo ano do ensino médio do Instituto Federal de Santa Catarina do Campus Xanxerê: Isabela Battistella, Ricardo Cenci (ambos de 18 anos), Renata Müller e Roberta Debortoli, ambos de 17.

A iniciativa, desenvolvida pela Missão Garatéa com apoio do Instituto TIM, prepara alunos de escolas públicas e particulares brasileiras para o Student Spaceflight Experiments Program (SSEP), concurso internacional que seleciona criações de estudantes para voarem até a ISS.

Debortoli conta que o experimento criado por seu grupo tem funcionamento baseado no filtro de barro brasileiro: ele também tem o carvão ativado como agente filtrante. Como no espaço a gravidade é bem mais baixa do que na Terra, foi necessário adaptar o mecanismo.

“Nosso experimento utiliza a capilaridade, um fenômeno físico que substitui a gravidade no processo de filtração”, afirma a aluna. Ela explica que a capilaridade causa tensão superficial em tubos finos, ou seja, ela une as moléculas do líquido e faz com que os fluidos se desloquem ainda que estejam em baixa força gravitacional.

Teste de filtragem

A aluna diz que o experimento não é um filtro finalizado, mas consiste em um tubo de silicone bem pequeno, de apenas 17 cm de comprimento.

A intenção é testar se é possível filtrar no espaço uma solução de azul de metileno. Em vez de a solução ser filtrada de cima para baixo, como na Terra, isso ocorreria na ISS de baixo para cima.

“O que os astronautas fazem lá na Estação Espacial Internacional é abrir um grampo e chacoalhar o experimento para garantir que a solução contate o carvão ativado e possa ser filtrada”, descreve Debortoli, que descobriu que projeto Garatéa-ISS existia ao ler uma reportagem da GALILEU. Interessada em participar, foi ela que incentivou os colegas e professores a fazerem a inscrição.

Mais  Lula denuncia manipulação do JN sobre Amazônia: “O poder da Globo não lhe dá o direito de continuar mentindo”

O diretor da Missão Garatéa, Lucas Fonseca, conta que o “filtro” foi enviado junto com comida de astronauta e todos os suprimentos científicos necessários para a tripulação da ISS no dia 25 de julho. “O experimento já foi feito e estamos esperando o retorno. Ele fica funcionando por um mês e até o final do ano deve retornar à Terra”, conta o engenheiro espacial, que pretende expandir a Garatéa-ISS para escolas de outros países da América do Sul e Ásia a partir de 2020.

As inscrições online para a 3ª edição da Garatéa-ISS foram prorrogadas e estão abertas para que escolas brasileiras se inscrevam até este domingo, 11 de agosto. O próximo experimento vencedor deve ser enviado à ISS em 2020.

Com informações da Galileu

 

Fonte: Só Notícia Boa