ter. ago 20th, 2019

Com PIB fraco, governo Bolsonaro pede paciência e oposição quer pressa

(FOTO: FABIO RODRIGUES POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL)

Paulo Guedes quer ‘chance de 4 anos’ enquanto PT e Cofecon veem urgência diante do desemprego

A economia decepcionará mais um ano, mesmo com o terceiro governo diferente no poder desde 2015, início do drama. É possível que o primeiro semestre tenha tido recessão, ou seja, duas quedas trimestrais consecutivas do PIB. Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, é hora de paciência. O Conselho Federal de Economia (Cofecon) acha que não dá para esperar. Idem a oposição.

A pregação de Guedes foi feita em um discurso em Brasília em 11 de agosto. Foi logo após ser divulgado um indicador do Banco Central (BC) que é uma prévia do PIB. O chamado IBC-Br recuou 0,1% no segundo trimestre. “Dê um ano ou dois, dê um governo, dê uma chance de um governo de quatro anos”, afirmou Guedes. “Tenham um pouco de paciência.”

Outra pista ruim tinha vindo três dias antes. O setor de serviços, o maior da economia (uns 60% de peso), encolheu 0,6% no segundo trimestre. Diante do resultado, houve quem tenha refeito as contas. Economista-chefe da consultoria Necton Investimentos, André Perfeito calcula expansão do PIB de 0,4% este ano. É a metade da previsão média do “mercado” e do FMI.

O Cofecon vê a situação tão crítica, que em uma nota pública de 3 de agosto propôs que o País busque um consenso mínimo sobre o que fazer. A começar pelo fim da atual política econômica, adotada com intensidade crescente desde 2015, receituário neoliberal apontado pela entidade como “o principal causador” da retração, do crescimento pífio e da queda da renda per capita.

Para o Conselho, o governo precisa investir em obras de infraestrutura, o que faria a economia rodar e geraria mais impostos, os quais conteriam o avanço da dívida pública. Guedes rejeita essa fórmula por ideologia e por temer aumento da dívida. “Dê uma chance de um governo de quatro anos para a liberal-democracia”, disse ao pedir paciência. Para ele, a reforma da Previdência vai gerar frutos.

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Contra a visão ideológica do ministro, o Cofecon diz fazer propostas “na linha do que os EUA, grande nação liberal, fizeram em reação à crise financeira de 2008”: uma política fiscal anticíclica, de mais gasto público em tempo de PIB fraco. E “também na linha da grande nação liberal e de outras desenvolvidas da Europa”, prega “a promoção e o apoio à ciência, tecnologia e inovação”.

Em julho, o analista-chefe do banco Goldman Sachs, gigante do “mercado” e simpatizante natural das ideias liberais de Guedes, passou pelo Brasil e falou coisas mais à la Cofecon. Segundo Caesar Maasry, a reforma da Previdência não fará milagre. “Incentivos fiscais são necessários para a recuperação econômica”, disse.

Por enquanto, a única injeção de recursos no PIB planejada pelo governo foi a liberação de saque de recursos do FGTS sob certas condições. É a repetição de medida adotada na gestão Michel Temer. A população poderá sacar a partir de 13 de setembro.

Maior partido de oposição, o PT acha pouco diante do desemprego (12%, 12,8 milhões de pessoas) e do desalento (4,6%, 4,9 milhões que desistiram de buscar vaga). E propôs um plano emergencial, ofuscado pois, justamente no dia da apresentação, a Justiça decretou (depois revogou) a ida de Lula para um presídio comum. “É dramática a situação social”, diz o documento.

Nesse pacote, os economistas petistas defendem retomar obras públicas. Criar uma espécie de mutirão de limpeza e conservação urbanas para empregar 3 milhões de pessoas por seis meses. Corrigir o salário mínimo acima da inflação (o governo tende apenas a repor a inflação em 2020). Reajustar a tabela do imposto de renda, congelada desde 2015.

Nesse plano, o dinheiro sairia de uma parte das reservas internacionais de dólares guardados no BC (10% do total de 340 bilhões), da volta da cobrança de certos impostos abolidos por Dilma Rousseff em seu primeiro mandato e de uma parte das reservas de petróleo da camada pré-sal controlados pela Petrobras. Ao todo, 140 bilhões de reais.

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Fonte: Carta Capital