qua. nov 13th, 2019

Queda na Libertadores traduz como nunca a pobreza de ideias no Palmeiras de Felipão

A falta de repertório do Palmeiras treinado por Luiz Felipe Scolari ficou mais evidente do que nunca na derrota de virada por 2 a 1 para o Grêmio, dentro do Pacaembu. Por ter significado o final da campanha na Libertadores, principal objetivo do clube, mas principalmente pelo contraste em relação ao que Tricolor Gaúcho fez do outro lado no duelo de volta das quartas de final.

Se o Alviverde demonstrou a sua grande virtude defensiva na ida, quando ganhou por 1 a 0 no Rio Grande do Sul, dentro de sua casa, na última terça-feira (27), o outro lado da moeda teve uma faceta cruel, mas longe de ser desconhecida.

O Palmeiras abriu o placar aos 14 minutos do primeiro tempo, com Luiz Adriano, dando a impressão de que a vaga na semifinal viria fácil. Naquele momento, o time paulista tinha pouco mais de 30% da posse de bola – o atacante estufou as redes de Paulo Victor aproveitando sobra após escanteio. Só que o Grêmio continuou apostando no seu volume ofensivo. Empatou aos 18’, também na bola parada, com Everton completando lançamento de Alisson, mas conseguiu a virada, pouco depois, graças à ousadia de seu grande craque: Everton disparou pelo meio, driblando e abrindo espaços até ser desarmado por Luan. Só que a sobra de bola acabou caindo nos pés de Alisson, que fez o 2 a 1.

Com a vantagem, o time de Renato Portaluppi fez o que não é de seu costume: recusou a posse de bola, postou-se na defesa e apostou no contra-ataque. Segurou o resultado graças a uma grande exibição de sua zaga, em especial de Geromel, dono de um recorde de rebatidas [13] pela equipe nesta campanha continental. Buscando desesperadamente o empate, que lhe daria a vaga à fase seguinte, o Palmeiras abusou dos cruzamentos, deixando evidente a falta de um repertório de ações que deveria ser maior em uma equipe dotada de alguns dos melhores jogadores disponíveis no mercado sul-americano. Foram 23 cruzamentos ao todo.

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Kannemann Geromel Palmeiras Grêmio Libertadores 27082019(Foto: Getty Images)

A equipe de Felipão terminou o jogo com 60% da posse de bola, a sua segunda maior marca nesta edição da Libertadores. A primeira curiosamente também não terminou em vitória: nos 2 a 2 com o Godoy Cruz, na ida das oitavas de final, o Palmeiras teve quase 67% do domínio da esfera. No Campeonato Paulista, o maior número foram os insuficientes 73% que não impediram um empate contra o Mirassol. A primeira derrota no Brasileirão 2019 veio acompanhada do maior tempo com a bola nos pés, 57%, que não evitaram o revés fora de casa contra o Ceará.

Em sua entrevista coletiva após a eliminação, Felipão respondeu educadamente todas as perguntas, mas não conseguiu passar nenhuma mensagem contundente em relação ao seu estilo de jogo. Falou em mudar, mas também defendeu o trabalho feito. Acima de tudo, criticou o excesso de erros cometidos contra um Grêmio que demonstrou perícia quando precisou propor o jogo e que manteve esta excelência quando optou por ser apenas reativo.

O futebol apresenta inúmeras formas de se ganhar um jogo. Não há somente uma receita e, se estiver dentro das regras, todas possuem a sua validade. E por serem quase infindáveis, espera-se que um treinador busque um cardápio de opções de jogo o mais rico possível. Isso vira quase uma obrigação quando o clube possui recursos para ter o melhor que o cenário lhe oferece em termos de elenco. A história da eliminação palmeirense na Libertadores passa por esta falta de repertório de ideias, que já era conhecida e contrastou com o apresentado pelo adversário.

Fonte: Yahoo

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Carlos Telles
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