ter. nov 19th, 2019

Saem o DVD e o jornal, entram pets, internet e celular: famílias mudam hábitos de consumo

Com avanço da tecnologia, entre outras alterações nos consumos das famílias, IBGE muda cálculo da inflação oficial em janeiro

IBGE apurou várias alterações nas despesas familiares, em parte influenciadas pelas tecnologias. A partir de janeiro, o IPCA terá nova composição, com maior peso para transporte e menor para alimentação

São Paulo – Com rápidas mudanças nos hábitos de consumo, o IBGE está atualizando sua Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o que levará também a mudanças no cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial de inflação no país. A partir de janeiro, os gastos com transportes vão superar a alimentação na composição do IPCA, que tem 377 produtos e serviços.

Segundo o instituto, a nova estrutura terá seis subitens a menos, no total. Mas conta com 56 novos itens. Se por um lado mostram o avanço de tecnologia, as alterações no IPCA também revelam itens em desuso pelas famílias. Entram, por exemplo, transporte por aplicativo, serviços de streaming e combos (internet, TV, telefonia). Outra tendência detectada são os gastos com animais de estimação. Por outro lado, deixam de ser calculados – ou são agregados a outros – itens como aparelhos de DVD, assinaturas de jornal, fotocópia e máquinas fotográficas (revelação e cópia).

Na POF referente ao período 2017/18, o grupo Transportes passa a responder por 20,84% das despesas de consumo, superando Alimentação e Bebidas, com 18,99%. Mesmo assim, reduziu sua participação em relação à pesquisa 2008/09 (21,95%). O IBGE apurou redução em transporte público (de 4,50% para 3,16%) e incorporou despesas com integração no transporte público (0,07%) e transporte por aplicativo (0,21%). O peso do veículo próprio soma 11,66%, o que segundo o IBGE “mostra o comprometimento dos orçamentos das famílias com despesas associadas à aquisição e/ou manutenção de veículos, como emplacamento e licença, seguro, multa, estacionamento, manutenção e conserto, peças e acessórios etc”.

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A mudança de hábitos chega também à alimentação. O instituto incluiu, por exemplo, itens como macarrão instantâneo (0,03%), polpa de fruta congelada (0,01%), alimentos infantis e vinho (tanto fora como dentro do domicílio). Saem do cálculo produtos como quiabo, chá, ervilha e carne em conserva e patês, entre outros. Também entraram agora no cálculo itens como conserto de bicicleta, sobrancelha, atividade física, cabeleireiro/barbeiro, depilação, tratamento e serviços de higiene para animais.

Entre as 16 áreas onde o IPCA é calculado, a região metropolitana de São Paulo aumentou participação, de 30,67% para 32,32%. A do Rio de Janeiro diminuiu, de 12,06% para 9,41%, assim como a de Belo Horizonte (de 10,86% para 9,74%). Brasília passou de 2,80% para 4,09%. Salvador recuou (agora está com 5,99%), assim como Recife (3,93%), Fortaleza (3,22%) e Curitiba (8,05%) cresceram, Porto Alegre avançou (8,59%). A região de menor peso é a de Rio Branco, que avançou ligeiramente em 10 anos, de 0,42% para 0,51%.

INPC também muda

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também vai mudar, com 61 novos subitens, em um total de 368 produtos e/ou serviços. Nesse caso, Alimentação e Bebidas se mantém como grupo de maior peso (21,5%), seguido de Transportes (20,02%) e Habitação (17,05%).

A diferença entre o IPCA e o INPC é que é o primeiro índice reflete despesas de consumo de famílias com rendimento mensal de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o segundo abrange a faixa de 1 a 5 mínimos.

Fonte: RBA

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Carlos Telles
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