sáb. fev 23rd, 2019

Após tribunal do crime, ‘inocência’ de menina grávida é o que chama atenção de moradores de Sidrolândia

O crime de tortura do ‘tribunal do crime’ do PCC, contra uma adolescente grávida de 13 anos, no domingo (6), em Sidrolândia, distante 70 quilômetros da Capital, transformou por alguns dias a imagem de cidade pacata do município em uma tranquilidade ‘abalada’, estampada em reportagens de jornais do Estado.

O movimento na cidade continua o mesmo, alguns moradores até desconhecem o fato, mas quem leu a notícia ficou preocupado e a ‘inocência’ da menor divide opiniões. A dona de casa Ângela Toniazzo acredita que o crime tenha deixado uma imagem negativa para o município.

“Como mãe e avó eu fico muito preocupada sabe. Onde estão as mães dessas crianças? Com certeza esse crime marcou a cidade de maneira negativa e não podemos facilitar”, diz.

Já o entregador Daniel da Silva dos Santos, questiona o caso.  “Uma menina de 13 anos já sabe o que é certo e o que não é, né? Um crime como esse é algo que a gente não espera em uma cidade pequena, mas alguns jovens procuram se envolver com coisa errada. É complicado”, afirmou.

Em Sidrolândia, o Jornal Midiamax foi até a residência onde o crime aconteceu, na Rua Azualdo Lopes Barbosa, bairro Jardim Paraíso II. A casa está vazia, a ali funcionava uma boca de fumo.

Em relação à menina, apenas uma moradora, diz conhecê-la. “Se for quem eu estou pensando, ela passava aqui direto e ia naquela casa. Depois do que aconteceu domingo ela sumiu.”

Os moradores de Sidrolândia não parecem estar ‘apavorados’ com o que aconteceu. Mas, em comum, todos os depoimentos apontam o descontentamento com as leis, que de acordo com os sidrolandenses, favorecem os criminosos, “muitas vezes presos hoje e soltos amanhã”, dizem.

Tribunal do crime

As execuções do ‘tribunal do crime’ desafiam as autoridades e a crueldade, muitas vezes registrada em vídeos que circulam em grupos de Whatsapp, chocam a sociedade.

Integrantes de facções rivais, considerados inimigos, e ‘irmãos’ acusados de traição, são submetidos ao julgamento do ‘tribunal’ e na maioria das vezes são condenados à morte. As execuções seguem um rito que cumpre regras estabelecidas pela alta cúpula do grupo.

Em 22 de fevereiro do ano passado, John Hudson dos Santos Marques, de 27 anos, foi encontrado decapitado em uma estrada vicinal entre o distrito de Indubrasil e a cidade de Terenos. Conforme investigações da polícia, ele foi morto por ser simpatizante e vender drogas para o Comando Vermelho, facção rival do PCC. Sete pessoas foram presas.

Também por ser, supostamente, ‘simpatizante’ do Comando Vermelho, Sorraira Cabritta Campos, de 24 anos, foi encontrada sem roupa íntima e com várias perfurações de faca, na Fazenda da Embrapa, Em Campo Grande.  O crime aconteceu no dia 30 de setembro do ano passado e, de acordo com a polícia, a morte dela foi ordenada de dentro do Presídio de Segurança Máxima.

Já um rapaz de 30 anos, conhecido como ‘Mascote’, sobreviveu duas vezes ao julgamento do PCC. No dia 25 de junho do ano passado ele escapou após ser abordado em frente de casa. Mascote foi torturado e durante um descuido do grupo que o vigiava, ele conseguiu fugir. Quando voltou para a casa, dois integrantes do grupo o esperavam e o ameaçaram, porém o rapaz conseguiu escapar outra vez.

Fonte: Midiamax

Notícias parecidas