qui. fev 21st, 2019

Família faz campanha para conseguir cirurgia de bebê que nasceu com cérebro fora do crânio

Uma família de Itu (SP) está fazendo uma campanha para que um bebê de 9 meses consiga fazer uma cirurgia de correção na cabeça. Jasmin Luisa tem uma malformação congênita rara que faz com que o cérebro cresça fora do crânio. Ela está na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) desde que nasceu para passar pelo procedimento.

A gestação da dona de casa Lahene dos Santos Assis foi tranquila. A descoberta de que a filha tinha encefalocele veio só quando ela nasceu. Jasmin teve uma má formação do crânio e, com isso, parte do cérebro está crescendo para fora do crânio.

Assim que a menina nasceu, os médicos disseram que ela deveria fazer uma cirurgia aos 6 meses de idade. O problema é que ela já está com 9 meses e, quanto mais o tempo passa, mais prejudicado fica o desenvolvimento dela.

Imagens de ressonância mostram malformação da pequena Jasmin — Foto: Arquivo pessoal

“Era bem pequeninho, só um inchaço que ela tinha e agora está crescendo bastante. Toda a massa cerebral que sai para fora não dá para recuperar. Ela desenvolveu bastante até os 4 meses e agora estagnou”, conta a mãe.

Segundo o neurocirurgião Francisco de Andrade Júnior, a encefalocele é rara. Cada caso é diferente, podendo ou não haver sequelas, e o tratamento passa necessariamente por cirurgia.

“Você necessita corrigir esteticamente, fechar esse conteúdo, proteger o sistema nervoso e tentar reparar, colocar esse tecido cerebral de volta na caixa craniana. A correção pode ser ser feita no primeiro ou segundo mês, assim que ela tiver estrutura para aguentar a anestesia”, explica o médico.

Impasse

De acordo com Lahene, a Prefeitura de Itu encaminhou o pedido de cirurgia para o governo do Estado de São Paulo.

“Logo que ela nasceu a gente já foi encaminhado para a Secretaria da Saúde da minha cidade e ela está nessa lista, nesta fila desde então, desde os 18 dias de vida dela. É uma coisa que é nosso direito pelo Estatuto da Criança e tudo. É direito nosso, não é nada além”, continua a mãe.

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A dona de casa também tentou que Jasmin fosse operada no Hospital de Clínicas na Universidade Estadual de Campinas, onde o bebê também aguarda em uma fila. A cirurgia chegou a ser marcada, só que não tinha vaga na UTI pediátrica.

A demora fez com que a mãe fizesse uma vaquinha virtual, já que a família não tem plano de saúde e nem condições de pagar o tratamento particular. Através de um site, as pessoas podem fazer doações. Já são mais de R$ 45 mil arrecadados, mas ainda não é suficiente.

Respostas

A Prefeitura de Itu informou que Jasmin está na lista de demanda cirúrgica do Estado de São Paulo desde abril deste ano. A cirurgia é de alta complexidade e não pode ser assumida pelo município.

A Secretaria Municipal de Saúde disse que encaminhou a paciente para o hospital Sobrapar da Unicamp, que é referência em crânio e face. O Sobrapar, por sua vez, encaminhou o caso da menina para o Hospital das Clínicas da própria Unicamp.

A unidade informou que possui 10 leitos de UTI pediátrica e que a demanda é muito maior, mas que o caso da Jasmin será prioridade de atendimento da equipe de neurocirurgia pediátrica do hospital nos próximos 20 dias.

Fonte: G1

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