sáb. fev 23rd, 2019

Fragilizado pelo caso Coaf, Flávio Bolsonaro chega discreto no Senado

Quando foi eleito em outubro com mais de quatro milhões de votos, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) era visto como nome certo entre as estrelas do novo Congresso.

Seu apoio era disputado por candidatos a governador, aliados e analistas diziam que e o “Zero Um”, filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, tinha tudo para ser o líder do governo ou até presidente do Senado. Flávio, no entanto, chegou ao dia da posse, na sexta-feira, 01, fragilizado pela investigações sobre movimentações financeiras atípicas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

Em rápida entrevista coletiva, Flávio teve que responder sobre a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que recusou seu pedido para que o inquérito que investiga Queiroz no Ministério Público do Rio fosse trancado. Indagado pelo Estado na sexta-feira, 1, se as denúncias prejudicam sua atuação no Senado, Flávio negou e procucou demonstrar tranquilidade.

“De forma alguma. Estou só aguardando o momento para ver lá no Supremo o que aconteceu. O que tiver que esclarecer vamos esclarecer. Tranquilo”, disse ele. Minutos depois, o senador fez o juramento de posse sob gritos de “Queiroz” vindos do fundo do plenário.

Segundo colegas de partido, Flávio foi absorvido pela própria defesa e desde que o caso de Queiroz veio à tona, participa menos das decisões e discussões sobre o Senado. Alguns, como a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), defendem que o caso seja investigado o mais rápido possível para que as suspeitas sobre Flávio não afetem o governo e o próprio senador consiga se livrar da sombra do ex-assessor.

“A investigação deve ser a mais célere possível. Não dá para ficar arrastando este defunto, para o bem do Flávio, que diz que é inocente, e para o bem do governo”, disse Joice.

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Ela é uma das poucas que verbalizam publicamente uma avaliação que muitos aliados do governo fazem reservadamente: a estratégia de bloquear no STF o inquérito que investiga Queiroz no Ministério Público do Rio foi um erro agravado pelo uso do foro privilegiado como argumento jurídico.

“Acho péssimo. Não foi acertado nem do ponto de vista jurídico. Primeiro porque foi antes do mandato. Segundo porque todos nós, ao menos no discurso, somos contra o foro privilegiado”, afirmou Joice. De acordo com ela, o fantasma de Queiroz tem atrapalhado o desempenho do “Zero Um”.

“Está atrapalhando o Flavio, sim. Por isso defendo a celeridade da investigação. Para tirar essa bola de ferro do pé dele. Ele está submerso nesta questão toda e qualquer agenda positiva fica travada”, afirmou.

De acordo com aliados, o senador que sempre foi mais reservado do que os irmãos tem opinado pouco nas reuniões e grupos de WhatsApp do partido. Nas redes sociais, raramente tem postado comentários ou declarações.

Segundo integrantes da bancada do PSL, ele se manteve afastado das articulações para eleição do presidente do Senado, embora tenha sido visto conversando ao pé da orelha com os dois principais candidatos, Renan Calheiros (MDB-AL) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), e seu nome não foi nem sequer cogitado para os cargos mais importantes da Casa.

As consequências da divulgação, pelo Estado, do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que revelou as movimentações atípicas de Flávio chegaram até à Assembleia Legislativa do Rio. Na semana passada o senador renunciou ao cargo de presidente do PSL fluminense alegando que sua missão já estava cumprida mas foi obrigado a retomar o posto 24 horas depois.

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Embora tenha eleito com a ajuda de Flávio 12 dos 70 deputados da Alerj, o PSL teve que engolir a escolha do petista André Ceciliano, em discreta aproximação com o governador Wilson Witzel (PSC) – também eleito com o apoio do senador – para a presidência da Casa.

Fonte: MSN

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