ter. fev 19th, 2019

Irmã de idoso morto diz que o procurou na Casa da Acolhida e alega descaso no local

A irmã de Sebastião Firmino da Silva, 63, disse ter procurado a Casa da Acolhida um dia após ele dar entrada no local. De acordo com Sônia Firmino da Silva Freitas, no dia 30 de dezembro ela teria chegado na companhia do seu empregador e perguntado sobre o idoso, encontrado morto na manhã de segunda-feira (7/1), em avançado estado de decomposição.

De acordo com o relato da mulher, até as 19h30 do dia 28 de dezembro, o homem estava em casa, porém, ela não mais o viu após o horário, levando a realizar apelos via rede social e registrar o boletim de ocorrência.

“Fiz a janta para ele e sai por volta de 19h30. Ele morava sozinho, mas sempre estávamos por perto. Houve casos dele sair perambulando por aí, possuía problemas mentais, mas as pessoas entravam em contato com nós da família. O Sebastião era muito conhecido”, relatou.

Sônia contou que uma liderança indígena ligou para ela após ver postagens sobre o desaparecimento do irmão, dizendo ter o encontrado numa capela da Reserva Indígena de Dourados e encaminhado à Casa da Acolhida no dia 29 de dezembro.

Lá, conforme nota encaminhada pela assessoria de imprensa da prefeitura, ele deu entrada, porém, a triagem seria realizada no dia seguinte, por conta do horário avançado, mas isso não aconteceu.

Ao receber a informação, a mulher contou ter chegado por volta das 22h do dia 30 à Casa, porém, recebeu a negativa de que ele estava lá.

“O homem que me atendeu disse que não havia ata ou qualquer coisa sobre o meu irmão. Pedi para que deixasse entrar e olhar, poderia reconhece-lo, ele me informou que era tarde e as pessoas já estariam dormindo”, disse.

Em seguida ela continuou: “de tanto eu insistir, ele me levou aos quartos, me mostrou um com pessoas e os outros que estariam trancados. Mas ele não abriu as portas, apenas relatou que ninguém entrava ali e foi justamente num desses que meu irmão estava, já podre”, contou.

Sônia disse não questionar a morte de Sebastião – que há pouco tempo passou por procedimento cirúrgico -, mas cobra explicações sobre a falta de atenção dada a ela. “Algo precisa ser feito para que isso não ocorra mais”, contou ao Dourados News.

De acordo com ela, devido ao avançado estado de putrefação, o caixão precisou ser lacrado e a família impedida de velar o corpo.

A perícia esteve no Casa da Acolhida na manhã de ontem e constatou que o idoso havia morrido há dias. As causas da morte são investigadas.

O homem foi encontrado por um funcionário, que sentiu o mau cheiro próximo ao quarto. Ao abrir a porta, constatou o óbito.

Em nota encaminhada ontem ao Dourados News, a assessoria de comunicação da prefeitura informou que após dar entrada no local, o idoso jantou, tomou banho e foi por conta própria até o quarto usado apenas quando há superlotação.

“Na troca de plantão, a equipe seguinte não percebeu que o quarto estava ocupado e, como Sebastião não saiu mais, foi apenas no dia da limpeza que foi encontrado já sem vida”, informa a nota.

A coordenação da Casa se colocou à disposição da família e afirmou que “comprovadamente não havia nada a fazer que pudesse evitar a morte do idoso”.

A Casa da Acolhida oferece atendimento às pessoas em situação de rua, vulnerabilidade social e em trânsito.

Fonte: DouradosNews

Notícias parecidas